Entrevista com a banda Facing Fear



O Parada Underground começa a sua série de entrevistas com uma banda de Heavy Metal que vem se destacando na cena carioca, o Facing Fear, banda formada em 2016 e que conta com forte influência de Heavy Metal tradicional.  Recentemente lançaram o álbum " Ana Jansen " e estão estão divulgando ele Brasil afora .
Conversamos com Raphael Dantas ( Guitarra ) e Vall Maranhão  ( Bateria ). Confira a seguir: 



- Como se deu o Surgimento da banda Facing Fear? Por que escolheram esse nome?

Vall Maranhão – A banda surgiu comigo e com o Raphael, nos conhecemos na antiga Planet Music em Cascadura, em um show do Jackdevil, a partir daí começamos a visitar outros lugares também,como o Subúrbio Alternativo. Me lembro quando fomos em um evento de Heavy Metal lá, e o mais engraçado era que todas as bandas do evento eram de São Paulo, então a gente tava vendo como o Rio precisava também de bandas de Heavy Metal e esse show foi meio que um divisor de águas pra tudo que estávamos conversando, o Rafael já tinha experiência com projetos de Hard Rock, Classic Rock e eu ainda não tinha nenhuma experiencia com banda. A partir daí, nós estávamos procurando pessoas que tivessem os mesmos gostos e as mesmas ideias, e convidamos a Nathalia e depois a Carina (Antiga vocalista). Isso foi final de 2016 e início de 2017, nós já começamos os nossos shows. Em relação ao nome, foi ideia do Raphael, ele pode explicar.

Raphael Dantas: O nome foi algo mais psicológico, eu me baseei naquele clichê de filme de terror que o protagonista do filme no final está sem expectativa nenhuma para lidar com aquela situação, quando ele não tem mais pra onde fugir, ele enfrenta a situação, ele enfrenta o medo. É uma coisa que sempre ficou na minha cabeça, esses típicos finais de filme de terror. Tem várias formas de interpretar esse nome. Vale lembrar, ( sobre o surgimento do Facing Fear) a gente pensava “ Aqui no Rio não tem muita banda de Heavy Metal” . É muito escasso, sempre foi. Até comentei com uns amigos quando o Facing Fear surgiu, quando teve comentários do pessoal da cena, achei que ia começar a aparecer bandas assim do gẽnero. Tinha o Steel Wolf ( do Terry,vocalista do Facing Fear) e as bandas antigas como Azul Limão e Metalmophorse. Ficamos com aquilo na cabeça : “ Que se foda vamos ser uma banda de Metal, no som, no visual e nas ideias, só que aqui no Rio de Janeiro" .



- Quais são as principais influências da banda?

Raphael Dantas: O Heavy Metal do Judas Priest e Iron Maiden. Eu particularmente, tenho muita influencia do Tokyo Blade, Saxon, Demon, Jaguar. Eu tenho influência de muita coisa, de blues, pop, jazz. Eu curto mutia coisa do Rock anos 70, como Led Zeppelin, Aerosmith e Creedence, fora o Rock Progressivo, que sou apaixonado. Sou louco pelo Rush, Yes, algo mais psicodélico como Pink Floyd.

Vall Maranhão: As influências vão desde o Rock'N Roll até o metal extremo. Eu por  exemplo, fora do Rock, gosto de reggae. O que mais me influencia são bandas como Def leppard, Iron, Satan, então a gente mescla todos esses sons que agregam o Heavy metal e coisas que não fazem parte. Gosto muito de bandas alemães como o Accept e Helloween, bandas americanas como o WASP, Dokken, Motley crue, até bandas japonesas como o MetaLucifer.

- Recentemente vocês lançaram o álbum Ana Jansen, conte-me sobre o processo de criação desse álbum e sua temática.

Vall Maranhão – Sobre a questão do nome do álbum, vem de uma lenda do Maranhão, conhecida como "Donana",“Carruagem de Ana Jansen” ou “Rainha do Maranhão”, pois era uma mulher muito poderosa na região, ela tinha muitos escravos e segundo a lenda ela maltratava muito esses escravos, e por causa disso ela foi amaldiçoada a vagar pelo Centro Histórico de São Luís para assustar os moradores. Desde aquela época, até os dias de hoje, as pessoas falam que escutam barulho da carruagem, os gritos dela e tudo mais. É uma lenda muito divulgada por lá, desde a época da escola eu escutava isso, nos livros, e inclusive por ela ser uma lenda brasileira, resolvemos deixar a letra em português. Sobre o processo de gravação do álbum, começamos a comprar os equipamentos e fizemos a gravação com um amigo meu, pra facilitar com os custos resolvemos comprar os materiais e montei um estúdio em casa, e decidimos gravar. A edição e masterização ficou por conta de um amigo meu, Luke Couto que é do Night Prowler e Fire Strike .

Raphael Dantas : Eu achei muito interessante quando li sobre a lenda, eu achei bem "Heavy Metal", até a capa, muita gente comparou com “Abigail” do King Diamond. Ela tem uma certa referencia sim, mas Abigail vem da cabeça do King Diamond, no caso de Ana Jansen, vem de uma lenda brasileira, de uma banda de heavy metal tradicional, sem aquela coisa meio estereotipada .  


- Como vocês enxergam a cena do Heavy Metal Underground? O que está faltando na cena?

Raphael Dantas : A forma que eu enxergo é que tem muita banda boa, tem banda ruim mas foda-se, tá todo mundo tentando fazer alguma coisa, só que tá faltando um pouco de profissionalismo. Não digo só das bandas, tem muitos problemas, que vão de casa de shows a promotores, envolve tudo. Só falta uma consciência, de cada parte que eu falei. No nosso caso, a gente passa um perrengue fodido. Desde quando o Facing Fear decidiu fazer uma parada com fogo, cenário, feito tudo a mão e uma porrada de lugar não dá estrutura pra isso. Claro que a gente não tá pedindo uma estrutura grande como Circo Voador, mas simplesmente um lugar que tem um suporte pra que a gente possa fazer isso, tipo um show de estádio em um clube, é possível fazer as pirotecnias, é só dar a estrutura, mas não tem. Mas a gente tá aí né?

Vall Maranhão : A gente tem muitas bandas boas, seja em outra região ou país . Eu acredito que exista algumas coisas que as bandas podem fazer pra alcançar mais reconhecimento, pra alavancar sua divulgação, então as bandas precisam se inteirar mais em assuntos que envolvam negócios, de uma maneira mais profissional. Pra você ter ideia, muitas bandas hoje, não se atualizam sobre como as coisas estão. Muitas não estão interessadas nas novidades das mídias digitais, eu vejo muita gente que não quer se adaptar a esses meios no dia de hoje, com esse exemplo, vemos como tem que se adaptar a nossa época, claro que teve o tempo do disco, da demo tape, com o passar do tempo, as coisas podem voltar ou não. Pode aparecer novos meios. A gente tem que buscar se adaptar a novos meios em que os fãs estejam presentes e eu acho que isso  é uma coisa que muitas bandas precisam entrar de cabeça.

- Qual foi o show mais mais memorável da banda? E por que ?

Raphael Dantas: Eu acho o show que nós fizemos em junho do ano passado no Lyria Fest. O motivo? É isso que falei na resposta anterior, esse show teve estrutura, as vezes as pessoas falam “ Teve comida ? Teve o que ?”. Não cara, estrutura é tipo assim, chegamos, fizemos a passagem de som, tudo organizado, o lugar tinha um camarim maneiro, o local era a Arena Jovelina na Pavuna. Tinha um bom palco, som bom, tivemos como botar o nosso cenário, que no caso é pequeno para o local, ocorreu tudo no horário. Não importa se é mainstrem, underground, mas é pra ter. Pra mim foi esse show por isso, eu achei ótimo. Concluindo, a ideia é querer dar o melhor do seu trabalho para o público, pro fã não esquecer do show, pro fã que não foi ver as fotos e pensar: ” queria estar lá ” . 

Vall Maranhão : Poderia citar vários shows, mas tem dois que foram bem especiais, por exemplo, o show de Teresina, foi o lugar mais distante que tocamos. Vi uma grande quantidade de pessoas eufóricas cantando as músicas. Quando chegamos, vimos que o lugar estava muito cheio e a rua foi fechada, não passava mais veículos. Outro show foi na Pavuna, quando tocamos com o Lyria e conseguimos usar todo o nosso cenário nesse show.

- Quais são os planos futuros do Facing Fear? Pretendem lançar mais um álbum em breve? Ou algum registro Ao Vivo?

Raphael Dantas - Continuar produzindo, dando conteúdo pro público. Estávamos com planos pra gravar um clipe, foi a segunda vez que ocorreu um bloqueio pra gravar, temos a situação do Corona vírus e tal. A grande ideia é o clipe, mas a banda continua produzindo, vamos lançar singles por streaming. Já estamos gravando algumas ideias pro que vai ser o próximo álbum, queremos lançar em 2021, já tá começando a fluir as ideias e tá ficando muito bom, porque tá vindo com outros elementos, um pouco mais diversificado, mas a essência tá lá. Eu tô empolgado pra caramba pra mostrar pro público. Disco ao vivo não tá nos planos, mas quem sabe lançar um EP ao vivo.

Vall Maranhão - Recentemente tivemos uma mudança na formação, com o John como segundo guitarrista, e ele trouxe suas experiências, começamos um novo processo  de composição. Infelizmente com esse problema da pandemia, com certeza vai atrasar muitas coisas, a gente já tinha data marcada pra começar as gravações do novo clipe. Assim que a quarentena acabar, muitas novidades virão . 

- Essa é uma página criada com o intuito de divulgar bandas do cenário Rock Underground, pra encerrar, eu gostaria que cada um de vocês indicasse uma (ou mais) bandas Underground .

Raphael Dantas- Já Falei do Lyria e Manikind. Aqui do Rio tem as mais clássicas , como Dorsal Atlântica , Azul Limão e Metalmophrose. Em São Paulo tem bastante coisa boa como Saint Danger e Night Prowler.

Vall maranhão- Muito obrigado Rodrigo, Parada Undergorund , por essa oportunidade pra gente poder expor um pouco da banda e das novidades, aproveito o momento também pra dizer que lançamos um novo single, o “ Omaira”, já está no youtube e mídias digitais. Eu gostaria de indicar algumas bandas que estou acompanhando recentemente, eu poderia citar  o Lyria e Steel Wild. Tem muitas bandas de São Paulo que estou acompanhando, como o Saint Danger, o Blackout, Living Metal e Fire Strike.



Facing Fear é:

Terry Painkiller: vocal

Raphael Dantas: guitarras

John Killesh: guitarras

Nathalia Souza: baixo

Vall Maranhão: bateria

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